sábado, 20 de agosto de 2011

Fogo na Estrada


Sexta-feira a tarde, duas horas e meia no ônibus. Sem fones, sem livro, sem nada para distração além da janela.
Fecha a cortina, abre a cortina.
Acidente na Avenida Brasil, pista fechada. Atropelamento, eles dizem. Uma mulher caiu da garupa da moto e um caminhão passou em cima da cabeça dela. Noticia horrorosa, mórbida, catastrófica.
Passa direto, pega o retorno. Trânsito lento. Segue para a Washington Luís. Pistas livres.
A cabeça da gente também podia passar direto pelo acidente, sem olhar, sem sinapse. Teimosia. Impulsividade. Ora, somos humanos, não podemos evitar o deslize, a queda e nem mesmo os caminhões que atropelam os nossos pensamentos.
Pega a Rio-Teresópolis.
Já são seis e pouca. Anoiteceu. Mas espera ai, o que é aquilo escondido na sombra? Foco de incêndio! E mais um e mais outro... O vento deve ter espalhado...
Que dia macabro! Até minha mente pegou fogo na estrada.